quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mudança em Itanhaém


Informamos que à partir de 15 de dezembro, mudaremos em ITANHAÉM para a Avenida Rui Barbosa número 564, conjunto 2, com entrada pela lateral na rua Jacome Fajardo, em frente ao Hospital Regional, no prédio do salão de cabeleireiro Valds e Lucia. 
O novo endereço fica a 200 metros de onde estamos hoje, com instalações novas, mais serviços e muito mais conforto. 



O ano está terminando, é tempo de reflexão e avaliação, tempo de pensar em mudanças. Mudanças externas, não programadas, mas  bem vindas. Mudanças internas, sentir como a vida é fugaz, como deixamos que coisas tolas nos incomodem, como perdemos tempo nos preocupando.
É tempo de reforçar ainda mais o pensamento de que as crises podem ser vistas como ameaça, e nos paralisar; ou como desafio e nos fortalecer, a escolha é nossa.Olhar a natureza maravilhosa e pensar que precisamos cuidar de nosso planeta, de nossa cidade, de nossa casa, de onde passamos.
Agradecemos a Deus por tudo o que aconteceu esse ano, agradecemos pelas dificuldades superadas, pelas alegrias e conquistas, pelo trabalho, pelos amigos. Agradecemos pela família, que é nosso mais precioso bem. 

Pedimos para 2015 um ano de luz, de crescimento e de muito amor. Que a celebração do nascimento do Menino Jesus preencha os espaços vazios que ficaram em nossos corações e nos torne pessoas melhores! Feliz natal!


 Marina Canal Caetano Drummond 

Helio Caetano Drummond Filho


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Maconha provoca alterações cerebrais a longo prazo

Maconha provoca alterações cerebrais a longo prazo
Agora que a maconha foi aprovada para uso médico e recreativo em alguns estados dos Estados Unidos, debates acalorados sobre a sua segurança estão rodando na mídia. Embora a maconha não necessariamente representam os mesmos perigos imediatos que ameaçam a vida,  como o álcool , temos visto que o uso crônico a longo prazo causa mudanças cerebrais significativas , principalmente , desacelera a atividade no lobos frontal e temporal , áreas do cérebro envolvidas com foco, concentração , motivação, memória , aprendizagem e estabilidade de humor . Isso significa que essas funções ficam prejudicadas com o uso da maconha, durante e após o uso.
Dr. Kabran Chapek tem testemunhado isso em primeira mão na Clínica Bellevue, do Grupo AMENCLINICS, no Estado de Washington , onde a maconha foi legalizada para uso médico em 2012. 
Ele diz: " Eu não estou surpreso quando alguém com ansiedade me diz que usa maconha ou álcool para ajudar a dormir ou acalmar seus nervos. É previsível que pessoas com hiperatividade e problemas como a ansiedade ou estresse pós trauma usem substâncias sedativas - podemos vê-lo em seus exames de SPECT .”
O SPECT é um exame de imagem que retrata o funcionamento cerebral e mostra se o nível de funcionamento está adequado, abaixo ou acima do esperado. A glicose é o “combustível” do sistema nervoso. Injeta-se glicose marcada na pessoa que vai fazer o exame. O nível dessa glicose é medido e mostra como estão funcionamento cerebral, se adequado, acelerado ou abaixo do esperado. 
O problema com a maconha é que ela não é seletiva. Não só acalma as partes do cérebro que são hiperativas ,  ela acalma todo o cérebro, diminui o ritmo de funcionamento em um processo lento e insidioso a longo prazo.
 Alguns argumentam que a maconha não causa dependência , mas, como este estudo demonstra , é uma droga como qualquer outra . Qualquer coisa que nos faz sentir bem:  comida, drogas, álcool , exercício físico, jogos de azar ou sexo provoca uma religação dos centros de prazer no cérebro e intensifica os desejos por ela. Essa é a  base neuropsicológica da dependência. 
Quando alguém para de usar maconha ,  um aumento significativo de irritabilidade é comum, pois os  lobos temporais recuperam pleno funcionamento . Segundo o Dr. Chapek, pode-se esperar ver melhorias na motivação , concentração e foco após abstenção por apenas 2-3 meses.

 Essa é uma imagem de um exame de SPECT em uma pessoa de 25 anos de uso diário de maconha. É uma imagem do funcionamento cerebral, nas áreas onde existem buracos, não há atividade cerebral.  

Adaptado de  Amen Clinics blog 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Síndrome de Asperger.


Síndrome de Asperger.

 Esse é um transtorno do neurodesenvolvimento, cuja exata causa é desconhecida. É  caracterizado por déficits na interação social, presença de comportamentos repetitivos, e interesses restritos. Atraso no desenvolvimento da linguagem falada, nas habilidades de coordenação visuo-espacial e habilidades mediadas pela fala, com ausência de déficit cognitivo.
Apesar de existirem semelhanças com o autismo, as pessoas com Síndrome de Asperger  geralmente têm elevadas habilidades cognitivas e funções de linguagem normais, se comparadas a outras desordens ao longo do espectro, porém demoram a desenvolver o uso da linguagem, e podem apresentar problemas na fala e compreensão das palavras e da linguagem.
Apesar de poderem ter um extremo comando da linguagem e vocabulário elaborado, estão incapacitadas de usar em contexto social e geralmente não apresentam uma inflexão adequada na voz, às vezes fala infantilizada.
Apresentam-se passivos e indiferentes. As dificuldades de socialização não remitem com o desenvolvimento.   Os déficits sociais resultam primariamente da inabilidade em considerar e conceitualizar os próprios fenômenos mentais como os das outras pessoas. Esse fato provoca uma dificuldade especial em prever e entender as intenções, sentimentos, e crenças das outras pessoas e consequentemente, dificuldades na interação social. O paciente interpreta as outras pessoas conforme seu próprio referencial. É como se as outras pessoas tivessem uma “linguagem” diferente, que o paciente não compreende.
Outra característica é a disfluência nas funções executivas. Esse é um grupo de atividades que permite o planejamento futuro, mudar de prioridades, e agir com propósito, apesar de distrações ou demandas competitivas. Essa inabilidade apresenta-se como inflexibilidade e dificuldades de planejamento, incluindo má aplicação do conhecimento aos problemas do cotidiano, tendência a perseverar, ou seja repetir comportamentos e palavras, dificuldades em manter-se nas tarefas e interagir com as demais pessoas. Apresenta inabilidade de entender o contexto das situações, integrar partes de um todo, entender informações, negligencia as informações não verbais.
As características apresentadas provocam déficits sociais resultantes primariamente da inabilidade cognitiva específica de compreender os outros como agentes intencionais, ou seja, interpretar as suas mentes em termos de conceitos teóricos de estados intencionais como crenças e desejos, particularidades qualitativas na interação social, uso de peculiaridade no comportamento não-verbal para regular a interação social.
O que permite a relação adequada com os outros é a capacidade que temos de compreender os estados mentais, tais como: crenças, sentimentos, desejos, esperanças e intenções. É a maneira de imaginar os sentimentos de outras pessoas ou seus pensamentos. Através dessas habilidades, podemos criar uma imagem mental de nossas próprias emoções ou sentimentos. Esta habilidade nos permite compreender que o comportamento das pessoas é causado por seus sentimentos, crenças ou intenções. Se pudemos prever alguns desses comportamentos, poderemos antecipar respostas. O que quer que se passa na mente de outras pessoas não está visível, então para ser entendido, precisa ser interpretado através das dicas de seu comportamento. Muitas dessas dicas não são explicitas.
Quando a pessoa não é capaz de vincular o comportamento dos outros aos seus sentimentos, não tem a capacidade de entender ou prever  suas atitudes, relacionar-se é tarefa difícil, às vezes impossível. Se o paciente não entender que alguém está triste e com raiva por alguma coisa que tenha feito, não vê sentido no comportamento dos outros ao seu redor.
Uma grande quantidade de conhecimento é inconsciente e vem da capacidade de perceber como os outros possam pensar ou sentir. Conhecer as emoções dos outros por interpretar corretamente sinais não verbais torna a comunicação eficaz. A falta dessas características provocam falha no desenvolvimento de relações com pares da sua idade; falta de interesse espontâneo em dividir experiências com outros; falta de reciprocidade emocional e social.
Uma importante deixa para a comunicação é a capacidade de perceber o nível de interesse do ouvinte á partir de sua linguagem corporal ou expressão facial.  As observações dolorosas ou rudes acontecem devido à incapacidade de prever como os seus comentários afetarão outras pessoas. Paciente apresenta um olho muito bom para obter detalhes não percebidos pelos demais, mas na maioria das vezes é incapaz de interpretar o todo. A perturbação causa prejuízo clinicamente significativo nas áreas social e ocupacional e outras áreas importantes de funcionamento.
A boa comunicação é baseada na empatia, a capacidade de sentir com os outros e colocar-se na sua situação. Ter essa capacidade fará interação social acontecer de modo muito mais fácil. Compreender as emoções de pessoas propicia a capacidade de prever o seu comportamento e ter uma interação social adequada. Saber o que esperar ajudará a saber como reagir à situação. Para as crianças que são incapazes de levar em consideração como os outros possam sentir, pensar ou reagir, o mundo torna-se um lugar terrível para se viver.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Estratégias para incrementar comportamento positivo:


  1. Relacionamento depende de duas coisas: tempo e disposição para ouvir.
  2. Estabeleça um período de anotação desse comportamento antes de iniciar qualquer estratégia. Quatro dias. Anote a freqüência do comportamento e a forma que ele ocorre.
  3.  Todos escrevam o que está incomodando, cada um deve ler o que foi escrito por todos e pensar durante pelo menos um dia, em estratégias para modificar o que incomoda. Cada um pense nas formas como vai resolver a situação.
  4. Sentem com as propostas anotadas, e cada um por sua vez vai falar do que pensou em estabelecer para resolver. As regras devem ser claras e devem existir conseqüências para sua quebra.
  5. Defina o que é esperado, deforma clara, incluindo tempo que deve ser dispensado nesse comportamento, o que deve ser feito e o que não deve.
  6. Estabelecer regras claras para que aconteça a mudança de comportamento. Defina o que vai ser incrementado e o que vai ser extinguido ou diminuído.  As regras devem ser estabelecidas para orientar, então devem ser colocadas de forma positiva, explicando o que deve acontecer e como.
  7. Estabeleçam sinais que possam ajudar a lembrar das regras, por exemplo,
  •  Faça um relógio impresso e marque os ponteiros com o horário de início e fim das atividades, Deixe esse relógio em lugar visível.
  • Imprima uma imagem de um lugar bagunçado e marque um círculo em volta, cortado no meio, como um sinal de trânsito indicando proibido, e coloque nos lugares onde as bagunças costumam estar.
  1. Estabeleça regras familiares:
    • Diga a verdade
    • Tratem-se com respeito
    • Não argumente com os pais, argumentar significa que as regras foram quebradas.
    • Respeitem  as propriedades de cada um. Não invadam.
    • Faça o que seu pai ou sua mãe disserem na primeira vez, Não procrastine!
    • Peça autorização para ir nos lugares, com antecedência!
    • Jogue fora as coisas que você não precisa ou não usa há mais de seis meses.
    • Encontrem formas de ser gentis e corteses uns com os outros.
    • Definam as obrigações de cada um e conseqüências para a quebra dessas regras. Pais: cumpram as conseqüências, filhos: não reclamem, vocês sabiam!
  2. Não conversem sobre assuntos polêmicos quando estiverem irritados
  3. Reservem um período do dia, por exemplo, o horário de uma refeição, quando não tenham de sair correndo, para terem uma hora só de harmonia. Façam elogios, digam uns aos outros o que vocês gostaram que eles fizeram naquele dia, conversem sobre coisas amenas. É PROIBIDO DISCUTIR!
  4. Quando estiverem irritados, combinem uma forma de sinalizar para os outros, e nesse caso, respeitem até que a irritação passe. O ideal é ficar sozinho.
  5. Anote o que deve ser feito em uma agenda, cada dia, e conforme a coisas forem feitas, vá marcando com uma caneta grifa texto, para ficar evidente.
  6. O que não for feito, deve ser anotado na folha do dia seguinte.
  7. Estabeleçam lugar para as coisas que não podem ser perdidas, como telefones celulares e móveis, chaves, documentos.
  8. Façam uma”Caixa da bagunça”: as coisas que não puderem se guardadas na hora devem ir para essa caixa e deve ser estabelecido um prazo para que sejam guardadas em local apropriado. Tudo o que levar menos de três minutos para ser feito, deve ser feito na hora.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dicas para o professor lidar com alunos com TDAH Parte 1


Dicas para o professor lidar com alunos com TDAH
Parte 1

·        Evite colocar alunos nos cantos da sala, onde a reverberação do som é maior.
·        Eles devem ficar nas primeiras carteiras das fileiras do centro da classe, e de costas para ela;
·        Evite cores muito fortes na sala e No uniforme como amarelo e vermelho. Cores fortes tendem a deixá-los ainda mais agitados, excitados e menos atentos.
·        Procure colocar tons mais neutros e suaves. Compare com o quarto de um bebê; agora pense: porque ninguém usa cores fortes nele? Estímulo demais não é bom para ninguém;
·        Faça com que a rotina na classe seja clara e previsível, crianças com TDAH têm dificuldade de se ajustar a mudanças de rotina;
·        Organize as carteiras em círculo, em forma de U, ao invés de fileiras a fim de visualizar melhor toda a classe e seu movimento;
·        Coloque esta criança próxima a outras mais concentradas e calmas, assim ele não encontrará seguidores para sua agitação;
·        Traga esta criança para perto de você, assim poderá ver se ela está
·        conseguindo acompanhar seu ritmo, ou se você precisa desacelerar um pouco. Isto o ajudará também a dispersar-se menos;
·        Afaste-as de portas e janelas para evitar que se distraiam com outro estímulos; Deixe-as perto de fontes de luz para que possam enxergar bem;
·        Não fale de costas, mantenha sempre o contato visual; Intercale atividades de alto e baixo interesse durante o dia, em vez de concentrar o mesmo tipo de tarefa em um só período;
·        Substituir aulas monótonas ou cansativas por aulas mais estimulantes que prendam sua atenção (o professor deverá ter muito preparo e ser bastante flexível com seu planejamento, mas ter cuidado para que o hiperativo não se empolgue demais);
·        Estes alunos adoram novidades, lance mão destes recursos não habituais para prender sua atenção. Peça ajuda ao professor de artes para trabalhar de forma
·        interdisciplinar. Estas crianças são muito criativas e se identificam muito com tarefas como criar, construir, explorar. Os adultos hiperativos poderão ter mais sucesso em carreiras ligadas a designers, publicidade, artes plásticas;
·        Repita ordens e instruções, faça frases curtas e peça ao aluno para repeti-las,  certificando-se de que ele entendeu;
·        Coloque sempre no quadro as atividades do dia para que este aluno perceba que há regras pré-definidas e previamente organizadas e que todos devem cumpri-las sem exceção de ninguém;
·        As tarefas não poderão ser longas. Deverão ter conclusão rápida para que ele consiga concluir a tarefa e não pare pela metade, o que é muito comum.
·        As tarefas maiores deverão ser divididas em partes para que ele perceba que elas podem ser terminadas.
·        Procure dar supervisão adicional aproveitando intervalo entre aulas ou durante tarefas longas e reuniões;
·        Permita que o aluno saia algumas vezes da sala para levar bilhetes, pegar giz em outra sala, ir ao banheiro. Estes alunos não gostam de ficar parados por muito tempo e desta forma estará evitando que ele fuja da sala por conta própria;
·        Peça que o aluno faça três riscos no quadro. Isto será o número de vezes que ele poderá sair. Cada vez que ele sair deverá apagar um risco no quadro. Isto funciona como um limite e tende a dar certo porque a criança se controla mais antes de pensar em sair da sala;

sexta-feira, 15 de março de 2013

Dependência química: Tratamento involuntário.


Quando todos os recursos para levar ao tratamento voluntário foram esgotados e o dependente continua na ativa, ou seja, usando drogas de maneira intensa, é necessária uma medida polêmica, a única capaz de dar conta do recado: a internação involuntária, contra a vontade.
Nesse estado, o uso se mantem, não mais pelo prazer da droga, mas para cessar as sensações ruins que a ausência dela provoca. O estado de abstinência fisiológico, provocado pela ausência da droga é um dos fatores mais importantes da manutenção do uso, provoca sofrimento psicológico, e também pode causar danos físicos e até morte com paradas cárdio-respiratórias, infarto, AVC, convulsões,  que requerem atenção por si só. O dependente em uma fase aguda de consumo fica também privado de auto-cuidados, condições de sono higiene e alimentação adequados, ficando susceptível a doenças físicas e mentais.  Nessa situação, a dependência coloca em risco a vida do paciente, podendo também colocar a de terceiros, sendo esse fato, indicação para que essa medida seja tomada.
É uma decisão muito difícil, pois priva a pessoa de seu direito mais primordial, que é a liberdade de escolha. Na verdade essa liberdade já foi trocada pelo uso de drogas, que escraviza. Deve ser indicada por um médico, e apoiada pela família, sua intenção é proteger a vida, tirar o dependente desse estado, deixa-lo em abstinência, e assim ele volta a ter acesso aos recursos que permitem a avaliação de seu estado e aceitação do tratamento.  Esse é o objetivo.  É prevista em lei, (Lei 10.216/2001) e só deveria ser empregada como último recurso.  O responsável pela instituição que acolhe o dependente deve comunicar o Ministério Público Estadual no prazo de 72 horas.
Como no caso da internação voluntária, os centros de tratamento que aceitam pacientes nessas condições tem que cumprir requisitos legais e técnicos, que são inscrição no CRM (Conselho Regional de Medicina) com médico generalista ou recursos para conduzir o paciente, em caso de necessidade a um hospital, médico psiquiatra, quadro de enfermagem em tempo integral, com enfermeiro com formação universitária e auxiliares de enfermagem, equipe de psicólogos presentes diariamente além de equipe de terapeutas e conselheiros, todos com especialização em dependência química. Essa é uma estrutura dispendiosa, e nem todas as instituições que aceitam esse tipo de tratamento a possuem. Essa situação é ilegal!
A internação involuntária tem autorização para um prazo máximo de 30 dias, podendo ser prorrogada por mais 30, por autorização do Ministério Público Estadual.  Ela não é um fim em si, é apenas uma etapa para trazer o dependente a um estado de consciência em que seja possível uma abordagem adequada para trabalhar a conscientização da necessidade de adesão ao tratamento. Sem a desintoxicação, não é possível esse tipo de trabalho, pois a abstinência é uma força incontrolável, que coloca abaixo qualquer intenção de buscar ajuda.  A parte mais importante do tratamento é feita pelo próprio dependente, e isso só ocorre depois da aceitação de seu estado, de sua doença, e da clareza de que a sobriedade é a única forma de reaver sua vida.
A dependência é doença progressiva, o que significa que a tendência é de piorar cada vez mais. É potencialmente fatal, pelas consequências do uso ao longo do tempo. É crônica, o que significa que não tem cura e com isso entendemos que não existe possibilidade de um dependente manter um uso recreativo, apenas isso: um dependente nunca conseguirá controlar a quantidade e frequência do uso de drogas. Tudo mais pode ser mudado em sua vida.
As famílias receiam buscar esse tipo de recurso, temendo que possa gerar uma crise e piorar o estado das coisas. A experiência mostra que quando o dependente é acolhido de forma adequada, em um ambiente livre de julgamento, por profissionais com características técnicas e pessoais adequadas para esse tipo de missão, dificilmente escolhe voltar para a vida anterior, pois ela gera alto grau de sofrimento e a possibilidade de uma vida nova é altamente motivadora.
O segredo para isso é a escolha criteriosa do centro de tratamento e o melhor critério é a indicação pelo profissional de saúde mental que cuida do dependente, por famílias que tiveram seus membros internados e também pelos convênios médicos, para quem os tem, pois só são cadastrados centros de tratamento que cumprem todas as normas estabelecidas pela lei.
Devemos ter em mente que para a dependência, assim como para qualquer outra doença, a internação é parte do tratamento, e NUNCA deve ser imposta como castigo!  E também que a conclusão do tratamento na clinica não é em absoluto, a conclusão do tratamento.  A fase mais difícil é o momento seguinte ao da alta, pois não há mais um ambiente protegido e nem toda uma equipe, 24 horas à postos para intervir. O tratamento deve continuar para tratar das dificuldades na nova fase da vida, a de ressocialização.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tratamento voluntário


Tratamento voluntário
Quando o tratamento em regime ambulatorial não surtiu efeito esperado, o próximo passo é o regime de internação voluntária, isto é, com a aceitação do dependente. Infelizmente é comum os pacientes dizerem que estão engajados nessa forma de tratamento, a fala “estou fazendo terapia, estou me tratando*, é usada como justificativa para evitar a internação.
A dependência química é doença crônica, incurável, progressiva e potencialmente fatal, seu tratamento depende principalmente da decisão do dependente, e decidir pelo tratamento, é decidir pelo abandono do uso das drogas, com muita frequência, existe aí um conflito! A motivação para o tratamento nem sempre é algo espontâneo, nem sempre acontece pelos caminhos “do amor”, na maior parte das vezes, ocorre pela pressão de familiares, pela falta de opção, e a fuga de consequências de atitudes tomadas para buscar a droga e isso é totalmente válido. Não tratar é deixar o dependente à própria sorte.
Para o tratamento voluntário, o dependente deve manifestar seu consentimento e aceitação. Esse tipo de tratamento é desenvolvido em lugares denominados “Comunidades Terapêuticas”. Infelizmente é frequente que não haja estrutura adequada. Muitos desses centros são coordenados e dirigidos por dependentes em abstinência sem nenhum preparo profissional. Na Internet encontra-se inúmeras propagandas, mas a busca deve começar pela indicação do profissional que trata o dependente, ou por recomendação de pessoas que já passaram por tratamento.
Deve haver uma estrutura profissional mínima composta por Médico Psiquiatra ou Clínico e Psicólogos especialistas em dependência química, estrutura de enfermagem completa, 24 horas, com enfermeiro coordenando técnicos em enfermagem todos especialistas em saúde mental e no manejo de complicações advindas do abuso de drogas. Deve ou pode haver monitores devidamente qualificados. A duração desse tipo de tratamento varia de 30/45 dias, para desintoxicação, até 90/120 dias.
Como a estrutura para atender casos de emergência é complexa deve haver planos bem definidos para esses casos, hospitais próximos para onde se possam levar os pacientes, bem como veículos adequados para esse transporte.
Existem pacientes que precisam ser contidos em determinadas situações, essa área deve ter estrutura adequada que vise à segurança do paciente, com móveis presos no chão, grades e sem nada que possa ser usado para se ferir.
A família deve ter acesso, não só a toda a estrutura do lugar, como também contato com outros internos, para que haja segurança a respeito do tratamento. As cláusulas do contrato devem ser claras e a família não pode ficar sem contato com o dependente, mesmo que por telefone, em  nenhuma hipótese. Desrespeito às normas pelo paciente não pode ser justificativa para essa prática.
  Existem lugares onde se pode obter informações, um deles é a FEBRACT, Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas. Para se filiar à FEBRACT os centros de tratamento são fiscalizados e cumprem as normas obrigatórias.
Quando um dependente aceita ser internado, a família deve lembrar-se  que com todas as dificuldades na dinâmica familiar, todos precisam adquirir uma nova e saudável estrutura. Embora exista grande cansaço, não é momento de “férias”, é hora de todos se tratarem para fazerem mudanças na volta do dependente.  A orientação familiar, ou pelo menos parte dela deve ser fornecida pelo centro de tratamento e as famílias podem ser encaminhadas a grupos de autoajuda, como o Amor-Exigente e o Nar-anon.  (assunto de próximos meses) Quando as atitudes permanecem sem mudança, esperar resultados diferentes é insanidade.
No SUS, o atendimento deve ser procurado nos CAPS-AD Centro de atenção psicossocial; CRATOD - Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas; infelizmente nem sempre existem vagas suficientes, como em todos os outros serviços públicos de saúde em nosso país. Nesse caso, o Ministério Público pode ser procurado.  Em cidades onde haja universidades de medicina, é frequente a existência de serviços de atendimento ao dependente, como a UNIAD - Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas, da UNIFESP; o CAISM, Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental, da Santa Casa, e o GREA - Programa Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da USP.
Com tudo isso, é preciso lembrar que a internação é apenas uma parte do tratamento. Ninguém conclui uma internação curado! Não existe cura para a dependência, existe tratamento com êxito, quando desenvolvido por profissionais qualificados. O momento mais difícil para todos é o primeiro dia na rua, e os recursos do tratamento ambulatorial devem ser novamente procurados, para a continuidade do processo.